O que é religião para a Justiça Federal?

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            Escrevo esse texto com um olhar totalmente crítico sobre o posicionamento da Justiça Federal do Rio de Janeiro em definir religião. De acordo com o juiz Eugênio Rosa de Araújo, negou-se uma denúncia do Ministério Público Federal de retirar vídeos do YouTube que continham ofensas a umbanda e ao candomblé (religiões com forte atuação e fundamentação no território brasileiro). Porém, o juiz foi além, ele pronunciou que as manifestações religiosas afro-brasileiras não são autenticas, não são religiões. Ainda afirmou que uma religião prova sua existência se existe um texto que se embasa, por exemplo a Bíblia para o catolicismo, de uma estrutura hierárquica e de um Deus a ser venerado.

            Primeiramente, como uma autoridade em nível regional pode se pronunciar dessa forma? Me preocupa um indivíduo de total importância no processo decisório, além de ser graduado, se pronunciar sem embasamento nenhum. O que me espanta ainda mais: um autor de um livro intitulado “Resumo e Direitos Humanos Fundamentais”, vulgo o juiz citado acima, se pronunciar com poucas palavras de muitos valores, expressos com uma fusão de preconceito e ignorância histórica de seu próprio país.

            As religiões discriminadas no acontecimento tiveram total importância no desenvolvimento do país. Ambas vieram junto com os navios negreiros cheio de escravos para as plantações de cafés, açúcar, melhor dizendo, navios carregados com cultura rica que formulou a essência do Brasil. Ao meu ver, o juiz ignorou a história Brasileira, ignorou a influência cultural que sofremos na época dos escravos, na formatação da nossa sociedade.

            Em segundo ponto, não vejo o juiz Eugênio Araújo como autoridade em religiões para se expressar dessa maneira. Sua formação e especialização focada no mercado financeiro não condiz com nenhum pronunciamento sobre o assunto.

            Vivemos em um Estado no qual o cristianismo tem um reinado enraizado, o povo tem total liberdade religiosa para escolher qual quer seguir ou não, respeito toda decisão dos cidadãos brasileiros. Porém esse fato chegou ao ponto de discriminação, totalmente infantil e sem embasamento algum.

            Realmente espero que esse seja um caso isolado. Um fato como esse deixa a sociedade mais pobre, no sentido cultural. Formuladores de opiniões rasas sem embasamento algum é o que mais cresce no mundo e o pior de tudo, indivíduos com extrema autoridade e representantes de empresas e órgãos governamentais ainda cometem erros infantis ao se pronunciarem sem ao menos rever seus conceitos e aplicações.

 

Um comentário infeliz que resulta na desvalorização cultural, que vai muito além do alcance de qualquer um.

2 comments

  1. O mais incrível é que pelo ultimo senso do IBGE mais de 50% da população brasileira se autodeclara afrodescendente. A umbanda e o candomblé são sincretismos que unem tanto figuras do cristianismo como da mitologia yoruba africana e indígena brasileira. Nas histórias das religiões são consideradas como religiões exclusivamente brasileiras! O que se observa numa atitude dessa perpetrada por este Juíz é um dos pontos altos da velada (para a mídia tradicional) e já descarada (para os praticantes destas religiões) no Rio de Janeiro: Há igrejas-lavanderias que lavam o dinheiro do tráfico e obviamente a nível astral são combatidas pelas falanges da Lei. A nível de malkouth – a realidade aqui e agora no planeta – se trava uma batalha com pressões e ameaças e não raro fuzilamentos e fechamentos de terreiros e centros da Lei. Não me admira um juíz em um estado e em um governo a serviço da opressão e escravização que tenha tomado tal atitude impensada, arbitrária e inconstitucional. Estamos em épocas sombrias, quem tem olhos para ver que veja! Bom texto Pedro!!!

    1. Muito obrigado Leonardo! Realmente, estamos em tempos sombrios que os valores são distorcidos e que representações políticas não representam o que realmente deviam. E a representação de bancadas religiosas realmente altera o rumo de algumas diretrizes legislativas.

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