Soft Power: da teoria a prática

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Primeiramente, o que é Soft Power? O conceito diariamente chama atenção de pesquisadores, acadêmicos e profissionais, mas muitas vezes é abordado de forma errônea diante do aprofundamento escasso sobre o assunto ou muitas vezes, falta de informação. Por isso, aqui levamos a explicação de Joseph Nye, cientista político norte-americano. De acordo com Nye (“Thinking Again: Soft Power”, 2006), Soft Power é a habilidade de influenciar os atores presentes no sistema internacional pela atração e não pela coerção. Portanto, como podemos influenciar os outros sem usarmos o poder bruto (Hard Power), armamento, ameaças? Por meio do Soft Power, formas de se tornar exemplo para os outros atores, através da cultura, ideologia política, por exemplo.

Com uma breve explicação do conceito, a quem interessa o Soft Power? Podemos começar com uma análise política do governo George W. Bush (Presidente dos Estados Unidos entre 2001 e 2009). Após o atentado de 11 de setembro, o Estado americano tomou partido de uma política extremamente isolacionista, com uma postura hegemônica no sistema internacional em busca da segurança nacional do Estado. Nesse contexto (também conhecido como doutrina Bush), o Hard Power começou a ser aplicado, como por exemplo, invasão do Afeganistão. Mas por que o Hard Power? A Doutrina Bush em buscava do extermínio terrorista foi justificada pela fortificação da segurança nacional do Estado norte-americano e sendo um dos líderes mundiais, simplesmente foi feito tudo possível para a preservação do Estado. Não é a toa que a indústria armamentista aumentou sua participação no mercado mundial de 42% a 52% entre 2002 e 2008, de acordo com o Departamento de Defesa americano (Não vamos perder o foco, mas caso você queira se aprofundar no assunto, recomendo o documentário de Michael Moore, “Farenheit 9/11”).

O Soft Power é uma “arma” fortíssima para a economia de um país. Ainda não é aplicada fortemente, pois estamos “estacionados” na cultura de que quem tem mais força militar é quem domina. Isso não é verdade absoluta, vemos países influentes pela economia criativa por exemplo, o futebol na Europa. Hoje em dia, não se vendem apenas ingressos para partidas de futebol, a maioria dos ingressos são para você passar o dia no estádio, almoçar em restaurantes dentro dele, visitar o museu, ir ao hotel dos jogadores, conversar com eles e ao final do dia, ir ao jogo de futebol. Isso é uma forma de influenciar pessoas culturalmente. Este é um pequeno exemplo de economia criativa, mas que pode ser aplicado ao Soft Power se for relacionado ao futebol, por exemplo, a influência da engenharia alemã em construções de estádios no Brasil.

Ainda é necessário um amadurecimento dos indivíduos atuantes no cenário internacional, em lideranças globais. Não é só com o Hard Power que exercemos nossa influência e poder, pode-se influenciar usando o Soft Power, só precisa-se aprender como.

Para finalizar, Nye sintetizou o conceito em uma frase: “o conceito básico de poder é a habilidade de influenciar os outros a fazer o que você quer. Há três maneiras de se fazer isto: uma dela é ameaçá-los com galhos; a segunda é comprá-los com cenouras; e a terceira é atrai-los ou cooperar com ele para que queiram o mesmo que você. Se você conseguir atrai-los a querer o que você quer, te custarão muito menos cenouras e galhos”. Infelizmente ainda existem indivíduos interessados em usar suas cenouras e galhos.

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