FHC e a Cultura Material

cultura material

Antes de mais nada, vamos a definição de cultura material que vou usar como base nesse texto. O conceito de cultura material pode ser definido usando quatro características principais. Primeiramente, a cultura material busca a abrangência, a representação de um grupo, de uma população. Em segundo momento, a definição da cultura material busca o que é o comum entre as pessoas nesse espaço físico, e além disso, o que é estável e constante. Em terceiro, devemos levar em consideração que a cultura material é o estudo de aspectos culturais materializados, ou seja, auto explicativa pela materialização (podemos ir mais afundo na formação de infraestrutura – conceito explorado por Marx – mas por hora, essa é a melhor definição que conseguimos dar a palavra “material”). E por último, podemos explorar que, sempre quando um estudo é feito sobre a pré-história, inicia-se com a observação da matéria dessa civilização, para depois fazer uma pesquisa antropológica que analisa as culturas “vivas”, ou melhor dizendo, o não-material (BUCAILLE E PESEZ, 1989).

Quando Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente brasileiro declara “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados” (Fonte: UOL), só consigo pensar na vertente da imposição da cultura material. Quando FHC declara isso, para mim, fica claro que ele esta dividindo os eleitores como “informados” e “desinformados” (sendo desinformados uma coincidência com a população menos favorecida).

Ao se dividir os eleitores dessa maneira, vejo um raciocínio extremamente triste vindo de um cientista político.
A partir do momento que ele se coloca no grupo dos “informados”, levando a crer que seu raciocínio esta acima dos “desinformados” (se feita uma discussão epistemológica), pode-se concluir que o grupo dos “informados” tem uma cultura material mais superior do que os “desinformados”. (Não gostaria de usar essa metodologia para definir o eleitorado de Dilma e Aécio Neves, penso que esse é um pensamento preconceituoso. Porém, uso para não distorcer o discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

A imposição da cultura material de FHC ficou explícita nessa declaração pois se diz que é mais informado que o eleitorado da Dilma. Além do desrespeito a liberdade do voto, por que ele se acha superior aos eleitores pró-Dilma? Não entra na minha cabeça se achar superior só por que faz parte de um partido elitista (ou mais “informado”, como quiser).
Por que se achar superior do eleitor com renda menor que R$2.000 reais por mês sendo que você não vive o que essas pessoas ditas “desinformadas” vivem?

Fazendo um paralelo extremo com o Terceiro Reich, podemos dizer que por essência, o partido nazista expressava claramente a imposição da cultura material germânica aos judeus. Quando diziam em seus vídeos de propaganda (indico os filmes “Arquitetura da Destruição” – 1989 e “O Eterno Judeu” – 1940) que os judeus eram apenas parasitas do comércio e que apenas lucravam da produção ariana, ficava explícito que se diziam superiores materialmente se comparados a população judaica. Por se acharem superiores de acordo com o conceito de cultura material, se sentiam autorizados de buscar o extermínio a procura da “raça perfeita”.

Por fim, vale a reflexão sobre o conceito de cultura material e como podemos aplicá-lo no dia a dia. Repare que não comparo FHC ao Terceiro Reich, porém se buscarmos a essência e radicalizar o pensamento sobre a imposição da cultura material, vemos semelhanças de pensamentos referente ao conceito. Além disso, não busco fazer apologia a nenhum partido político e também não me prender as críticas, esse texto é apenas uma reflexão sobre uma frase e um conceito.

Referências

PESEZ, Jean-Marie; BUCAILLE, Richard. Cultura Material. Lisboa, Homo – Domesticação – Cultura Material, vol. 16, p. 11 – 47, 1989.

UOL. “PT cresceu nos grotões porque tem votos dos menos informados, diz FHC”. São Paulo, 06/10/2014. Disponível em: <http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/06/fhc-pt-cresceu-nos-grotoes-porque-tem-voto-dos-pobres-menos-informados.htm&gt;. Acesso em: 13 out 2014.

O que é religião para a Justiça Federal?

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            Escrevo esse texto com um olhar totalmente crítico sobre o posicionamento da Justiça Federal do Rio de Janeiro em definir religião. De acordo com o juiz Eugênio Rosa de Araújo, negou-se uma denúncia do Ministério Público Federal de retirar vídeos do YouTube que continham ofensas a umbanda e ao candomblé (religiões com forte atuação e fundamentação no território brasileiro). Porém, o juiz foi além, ele pronunciou que as manifestações religiosas afro-brasileiras não são autenticas, não são religiões. Ainda afirmou que uma religião prova sua existência se existe um texto que se embasa, por exemplo a Bíblia para o catolicismo, de uma estrutura hierárquica e de um Deus a ser venerado.

            Primeiramente, como uma autoridade em nível regional pode se pronunciar dessa forma? Me preocupa um indivíduo de total importância no processo decisório, além de ser graduado, se pronunciar sem embasamento nenhum. O que me espanta ainda mais: um autor de um livro intitulado “Resumo e Direitos Humanos Fundamentais”, vulgo o juiz citado acima, se pronunciar com poucas palavras de muitos valores, expressos com uma fusão de preconceito e ignorância histórica de seu próprio país.

            As religiões discriminadas no acontecimento tiveram total importância no desenvolvimento do país. Ambas vieram junto com os navios negreiros cheio de escravos para as plantações de cafés, açúcar, melhor dizendo, navios carregados com cultura rica que formulou a essência do Brasil. Ao meu ver, o juiz ignorou a história Brasileira, ignorou a influência cultural que sofremos na época dos escravos, na formatação da nossa sociedade.

            Em segundo ponto, não vejo o juiz Eugênio Araújo como autoridade em religiões para se expressar dessa maneira. Sua formação e especialização focada no mercado financeiro não condiz com nenhum pronunciamento sobre o assunto.

            Vivemos em um Estado no qual o cristianismo tem um reinado enraizado, o povo tem total liberdade religiosa para escolher qual quer seguir ou não, respeito toda decisão dos cidadãos brasileiros. Porém esse fato chegou ao ponto de discriminação, totalmente infantil e sem embasamento algum.

            Realmente espero que esse seja um caso isolado. Um fato como esse deixa a sociedade mais pobre, no sentido cultural. Formuladores de opiniões rasas sem embasamento algum é o que mais cresce no mundo e o pior de tudo, indivíduos com extrema autoridade e representantes de empresas e órgãos governamentais ainda cometem erros infantis ao se pronunciarem sem ao menos rever seus conceitos e aplicações.

 

Um comentário infeliz que resulta na desvalorização cultural, que vai muito além do alcance de qualquer um.

Soft Power: da teoria a prática

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Primeiramente, o que é Soft Power? O conceito diariamente chama atenção de pesquisadores, acadêmicos e profissionais, mas muitas vezes é abordado de forma errônea diante do aprofundamento escasso sobre o assunto ou muitas vezes, falta de informação. Por isso, aqui levamos a explicação de Joseph Nye, cientista político norte-americano. De acordo com Nye (“Thinking Again: Soft Power”, 2006), Soft Power é a habilidade de influenciar os atores presentes no sistema internacional pela atração e não pela coerção. Portanto, como podemos influenciar os outros sem usarmos o poder bruto (Hard Power), armamento, ameaças? Por meio do Soft Power, formas de se tornar exemplo para os outros atores, através da cultura, ideologia política, por exemplo.

Com uma breve explicação do conceito, a quem interessa o Soft Power? Podemos começar com uma análise política do governo George W. Bush (Presidente dos Estados Unidos entre 2001 e 2009). Após o atentado de 11 de setembro, o Estado americano tomou partido de uma política extremamente isolacionista, com uma postura hegemônica no sistema internacional em busca da segurança nacional do Estado. Nesse contexto (também conhecido como doutrina Bush), o Hard Power começou a ser aplicado, como por exemplo, invasão do Afeganistão. Mas por que o Hard Power? A Doutrina Bush em buscava do extermínio terrorista foi justificada pela fortificação da segurança nacional do Estado norte-americano e sendo um dos líderes mundiais, simplesmente foi feito tudo possível para a preservação do Estado. Não é a toa que a indústria armamentista aumentou sua participação no mercado mundial de 42% a 52% entre 2002 e 2008, de acordo com o Departamento de Defesa americano (Não vamos perder o foco, mas caso você queira se aprofundar no assunto, recomendo o documentário de Michael Moore, “Farenheit 9/11”).

O Soft Power é uma “arma” fortíssima para a economia de um país. Ainda não é aplicada fortemente, pois estamos “estacionados” na cultura de que quem tem mais força militar é quem domina. Isso não é verdade absoluta, vemos países influentes pela economia criativa por exemplo, o futebol na Europa. Hoje em dia, não se vendem apenas ingressos para partidas de futebol, a maioria dos ingressos são para você passar o dia no estádio, almoçar em restaurantes dentro dele, visitar o museu, ir ao hotel dos jogadores, conversar com eles e ao final do dia, ir ao jogo de futebol. Isso é uma forma de influenciar pessoas culturalmente. Este é um pequeno exemplo de economia criativa, mas que pode ser aplicado ao Soft Power se for relacionado ao futebol, por exemplo, a influência da engenharia alemã em construções de estádios no Brasil.

Ainda é necessário um amadurecimento dos indivíduos atuantes no cenário internacional, em lideranças globais. Não é só com o Hard Power que exercemos nossa influência e poder, pode-se influenciar usando o Soft Power, só precisa-se aprender como.

Para finalizar, Nye sintetizou o conceito em uma frase: “o conceito básico de poder é a habilidade de influenciar os outros a fazer o que você quer. Há três maneiras de se fazer isto: uma dela é ameaçá-los com galhos; a segunda é comprá-los com cenouras; e a terceira é atrai-los ou cooperar com ele para que queiram o mesmo que você. Se você conseguir atrai-los a querer o que você quer, te custarão muito menos cenouras e galhos”. Infelizmente ainda existem indivíduos interessados em usar suas cenouras e galhos.

Qual é a finalidade de um estereótipo?

Após a minha entrevista com Patrício, o morador de rua de 43 anos (https://pedroppiovan.wordpress.com/2014/03/22/a-marginalidade-da-marginalidade-uma-vida-em-18-milhoes/), surgiu uma necessidade dentro de mim de investigar a necessidade das pessoas de se enquadrar em certas imagens preconcebidas. No momento em que Patrício só entrou em uma padaria por estar acompanhado comigo, vi que essas imagens preconcebidas nem sempre funcionam de maneira correta.

Junto com a globalização, a produtividade máxima, o melhor desempenho no menor tempo possível, just-in-time, veio também a necessidade de enquadrar pessoas dentro de grupos. Porém, o ser humano não é um objeto material no qual se encaixa perfeitamente em sua imagem concebida, o ser humano é movido por desejos, ambições, necessidades. Assim nasce a criação de estereótipos. A necessidade de enquadrar as pessoas em certas características para o funcionamento mais rápido dos nossos processos.

Primeiramente, vamos definir o que é estereótipo. Temos duas explicações psicossociais, baseadas em psicólogos: “Representações, obviamente, não são criadas por um indivíduo isoladamente. Uma vez criadas, contudo, elas adquirem uma vida própria, circulam, se encontram, se atraem e se repelem e dão oportunidade ao nascimento de novas representações, enquanto velhas representações morrem.” (Moscovici, 2003); e “A distinção entre opinião particular e opinião pública, por legítima que seja, nem por isso resolve a dificuldade, pois uma e outra interferem entre si, de maneira sutil e movediça. A própria opinião pública, domínio de eleição do psicólogo social, tange a um sistema de crenças fortemente enraizadas e cristalizadas, assim ao nível coletivo como ao individual; de outra parte liga-se a processos episódicos afetados de forte contingência, correspondentes ao que se chama ‘a atualidade’ ou ‘as notícias” (Maisonneuve, 1977).

Levando a primeira mais a análise, conjunto com uma análise sobre o povo brasileiro, pode-se perceber que o brasileiro gosta de encaixar pessoas em representações, e criticá-las. Após criada essa representação ou esteriótipo, se encaixa pessoas sobre ele e se fecham em grupos, no qual o povo brasileiro critica sem base teórica, uma crítica preguiçosa e sem baseamento algum. Temos vários exemplos que se aplicam a esse caso, um deles é “político ladrão”. Há a crítica aos políticos sem mesmo sabermos como funciona o sistema eleitoral, como são criadas as leis e mesmo a história do político alvo.

Em conclusão, o povo brasileiro esta muito acostumado em se manter na zona de conforto, criticar os outros baseados em esteriótipos “preguiçosos” e continuar na sua zona de conforto, sem tomar nenhuma attitude para mudar o que critica, mesmo sem base teórica, na maioria dos casos.

Uma boa crítica sempre traz consigo uma proposta de solução, método muito ignorado pelo povo brasileiro. Portanto, a solução que trago junto a essa crítica, é uma parte da letra da música A Estrada da banda Cidade Negra: “Você não sabe o quanto eu caminhei; Pra cehgar até aqui; Percorri milhas e milhas antes de dormir”.

A marginalidade da marginalidade: uma vida em 18 milhões

A sociedade brasileira cresce dentro de estereótipos, no qual todos os cidadãos “devem” se enquadrar em certas características impostas por uma cultura que aprendeu a sempre criticar o próximo (nem sempre isso é ruim ou bom).

Dentro dessa necessidade de criticar, nascem barreiras entre esses grupos, seja diferença entre classes sociais, diferenças raciais, ou como podemos observar em nossa sociedade, ambas são coorrelacionadas (erroneamente, em meu ponto de vista).

Nossa sociedade vive em uma divisão de classes sociais, no qual pessoas de diferentes classes não podem frequentar o mesmo espaço. Talvez esse raciocínio seja muito agressivo (ou realista), porém é o que vemos hoje nas ruas, pessoas vivendo em realidades totalmente diferentes, sendo constantemente marginalizados e descriminalizados.

Após essa breve análise sobre a sociedade brasileira, entrevisto um morador de rua. Com suas palavras, podemos analisar o contexto tratado acima.

Pergunta: Você poderia me falar seu nome, sua idade, se trabalha e onde mora?

– Meu nome é Patrício, tenho 43 anos, moro aqui nesse barraco. Pego um papel, uma latinha, um papelão, madeira, ai a gente ganha uma coisinha pra sobreviver né cara.

Pergunta: Você pode me contar um pouco da sua história, desde sua infância, de onde veio?

– Eu nasci em Recife, vim pra cá com uns 15 anos, vim com a minha família. Vim para sobreviver, trabalhar, lá tava difícil de conseguir alguma coisa. Cheguei aqui, trabalhei 2 anos na Folha do Estado, distribuindo e arrumando jornal. Depois que fui despedido, to vivendo na rua fazem 18 anos. Quando eu  cheguei aqui, é o seguinte, não é ruim, mas também não “tá” bom. Por que quando tiver bom, “ é” quando eu tiver com meu lugarzinho pra morar, com emprego fixo, ai a gente fica um pouco mais adequado. Mas ta bom, o importante é respeitar e fazer tudo com cabeça erguida.

Pergunta: Por que você acha que existe uma divisão tão grande entre as pessoas de classe alta, com as classes em desenvolvimento?

– Vou te falar a verdade, como diz, não podia ter essa divisão. Sem querer desrespeitar, o pobre tem que ser submisso ao rico, infelizmente a única coisa que posso falar “é” aguardar por alguma coisa diferente. Temos que saber lidar com eles e procurar sobreviver, e até tentar um jeito melhor de viver.

Pergunta: Qual é a reação das pessoas quando passam perto de você?

– Muitos eu vejo na feição que não tem preconceito, até se aproximam. Infelizmente tem os dois tipos, não podemos julgar, mas infelizmente existem pessoas assim.

Pergunta: O que significa Governo para você? O que é política?

– Nesse debate não tenho um grande conhecimento, mas vou ser sincero, muita coisa falsa, muita coisa falta. Pessoas que “tão” ali querendo uma oportunidade, mas as vezes não consegue e parte pra um outro lado. No meu caso mesmo, deveria ter uma oportunidade. São tantos terrenos sem utilização, o governo poderia fazer um planejamento, um condomínio para o pessoal de rua. Com isso, quem sabe não haveria uma esperança do pessoal largar o crime “tendo” um lugar melhor pra morar. Trabalhando, plantando, colhendo, precisam de alguma coisa pra ocupar a mente. Se eu mesmo achasse um lugar que eu pudesse ler, escrever, desenhar, me esforçar mais pra jogar esse pensamento pra baixo, pudesse andar mais com rumo, eu seria uma pessoa melhor.

Pergunta: Você observa uma distância entre o povo (ou você) do governo?

– Demais, meu voto não tem peso, de jeito nenhum. Votei na última eleição, vou ser sincero, tem que ter esperança, respeitar a justiça, o peso da balança, mas fazer o que né, tem que votar.

Pergunta: Mas você viu algo de diferente da época que você votou pra cá?

– Até empréstimo eu tive que fazer de um amigo. Sem governo, a gente tem que ficar no aguardo.

Pergunta: Você tem desejos? Se quiser pode compartilhar.

– A minha esperança é arrumar algo “pra” família e “pros” outros. Eu vou ser sincero, minha maior vontade, era ver nosso país mais centrado. Eu sei que é até uma ilusão minha, mas minha impressão é que eu vejo coisas de outros países na televisão, e aqui é o caos. O tratamento com a natureza, presta atenção, repara e “ve”, é necessário preservar a natureza, vai no parque pra ver. O único país que eu habitei foi o Brasil, e temos que honrar, mas a preservação da natureza, limpeza de lago, calçada, pra muitos isso não significa nada, imagina pro governo, entendeu? A minha vontade é essa.

Com essa entrevista, podemos analisar que parte da nossa sociedade marginalizada sente que estão nessa situação, por não ter oportunidade, e que essa oportunidade só pode surgir que o Governo colaborar com isso.

Também podemos perceber que essa mesma classe necessita suprir suas necessidades primárias, e nem isso essas pessoas podem. Então como uma pessoa que vive nessa realidade, pode se tornar um ser político se não pode suprir suas necessidades primárias e é totalmente marginalizado e separado da sociedade, tanto pelos próprios cidadãos, quanto pelo Governo?

Muitos podem criticar essa minha linha de raciocínio dizendo que minhas intenções são tornar uma sociedade utópica e que isso é uma parcela pequena da sociedade, porém estamos falando de 16,27 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza (renda domiciliar entre zero e R$70), 8,5% da população brasileira (dados do IBGE utilizando o Censo Demográfico de 2010). Ou seja, estamos falando que, praticamente, 1 em cada 10 brasileiros vivem em condições extremamente precárias. E também nesse cálculo não consta as pessoas que vivem entre R$70 e R$100 reais mensais.

Concluindo, todo os dias estamos nas ruas e vemos moradores isolados e até sendo humilhados, e simplesmente ignoramos. Não lembramos que eles são humanos e que muitos deles tem histórias extraordinárias, com uma simples conversa, eles podem mudar a sua realidade, e você, a deles. Não gostaria de tratar esse assunto dessa forma, apontando pra dois lados, porém é o que a nossa cultura nos impõe, marginalizarmos as pessoas de baixa renda, sem levar em conta a essência de todos, sermos seres humanos.

Então vamos nos conscientizar que podemos fazer a diferença para essas pessoas, sendo por uma iniciativa de cada ser humano, ou nos tornando pessoas políticas, ou seja, começar a ser pessoas ativas no processo político e também discutirmos mais sobre isso, pois nós somos a fonte de poder para mudar o que nos insatisfaz.

“Quando eu  cheguei aqui, é o seguinte, não é ruim, mas também não “tá” bom. Por que quando tiver bom, “ é” quando eu tiver com meu lugarzinho pra morar, com emprego fixo, ai a gente fica um pouco mais adequado.” – Patrício, 43, morador de rua.

Conflito na Ucrânia: de “guerra civil” a “Guerra Fria”

Enquanto os Estados Unidos alega a defesa a soberania de Estado da Ucrânia, Rússia vai ganhando a Crimeia de “presente”.

 

No início da invasão russa ao território ucraniano, Putin alegava que seu dever era proteger a população de origem russa no território, ou seja, proteger a Crimeia.

A Crimeia é uma região autônoma da Ucrânia, com 60% da população russa. Essa região sempre foi pró-Rússia, ou seja, tudo o que Putin mais queria, alegar a defesa de uma região que quer anexar a seu país. A pergunta que ando frequentemente ouvindo é: e a União Européia? E os Estados Unidos?

Sim, vivemos em um sistema internacional em que se resume em, no máximo, 5 potências dominantes. Os Estados Unidos tentaram defender a autonomia da Ucrânia, ameaçando a Rússia com sanções economicas e políticas. Porém, o Estado Russo atropelou qualquer soberania de Estado e entrou na Crimeia com um número de soldados impressionante: 845 mil homens, 6,5 vezes o tamanho das forças armadas ucraniana.

Obama e John Kerry (secretário Americano de Estado) alegam que a Rússia só queria um pretexto para invadir a Ucrânia, e prometem sanções políticas e econômicas para a Rússia, assim como a UE e a OTAN.

Os países europeus ainda não se pronunciaram na mídia internacional sobre o ocorrido até agora. Estados tão importantes como Inglaterra e Alemanha, onde estão? A Rússia tem total controle do gasoduto da Europa do Norte, ou seja, região onde se encontra a Alemanha. Assim, os Estados europeus tem que tomar muito cuidado com sua política externa sobre esse assunto, pois, se não agradarem ao governo Russo, o gás poderá ser cortado, assim como já fizeram isso com a Ucrânia por uma semana.

            Para encerrar, o Parlamento da região da Crimeia aprova, por unanimidade, a anexação à Rússia. Com a integração aprovada, o Parlamento da Crimeia irá efetuar uma pesquisa para saber se o seu povo esta de acordo com essa política.

            Em análise a esse conflito internacional, primeiramente, a mídia internacional já não trata do conflito interno, trata de um conflito “diplomático”, por enquanto. Portanto, não temos mais notícias dos civis que estão no meio disso, das manifestações, opinião pública da Ucrânia em si, não só da Crimeia.

            Em segundo lugar, a Rússia não leva em consideração a Côrte Internacional, o Direito Internacional, não se importam se não respeitam a soberania de Estado ou se estão invadindo a propriedade privada de civis ucranianos. Eles simplesmente estão dispostos a cumprir seus objetivos e seu interesse nacional.

            Todos pensavamos que pós Guerra Fria nascera um mundo cooperativo e integrado. Economicamente, isso pode até existir, mas a partir do ponto que os interesses nacionais são colocados em cheque no sistema internacional, cada um defende o seu, sem consideração alguma com as agendas internacionais ou cooperação entre Estados. Pelo menos, isso pelo lado da Rússia que eu analiso no conflito citado acima. Então, não acredito que vivemos em um sistema internacional tão multipolarizados quanto ouvimos.

            Voltando ao conflito, nada adianta as sanções tão prometidas dos Estados Unidos ou União Européia, já sabemos o desenrolar desse conflito. A Rússia vai conseguir anexar a tão desejada Crimeia e todos vamos ignorar a política internacional russa, os crimes de guerra, a violação de direitos humanos.

            Pois estamos tratando de potências do sistema internacional, tudo vai girar de acordo de seus interesses mútuos. Não sou vidente para descrever o desenrolar da história, mas se for para pensar em algo, tudo vai acontecer como aconteceu na invasão dos Estados Unidos ao Iraque. A cabeça do ser humano globalizado de curto prazo vai esquecer de todos os fatos ocorridos. E em dois meses, vamos continuar nossas vidas normalmente. Tudo vai acabar em pizza.

 

“Olho por olho, e o mundo acabará cego” – Mahatma Gandhi

 

06/03/2014

 

Pedro Paulo Piovan

 

Crítica ao Realismo – Parte 1

Em análise ao livro “Teoria das Relações Internacionais” de Nogueira e Messari, apresento minhas críticas a via teórica realista.

Sobre o realismo, no qual acredita em um sistema internacional anárquico, ou seja, nenhum estado impõe seu interesse nacional sobre outro, esta a minha crítica.

As burguesias que lideram o interesse nacional do Estado estão em constante conflito, pois interesses de burguesias (ou Estados) divergem entre si no cenário mundial. Nesse ponto que entra minha crítica, pois, como o indivíduo é sedento de poder e ambicioso, seu interesse nacional ultrapassa os limites de outros estados, abdicando seus valores ou interesses sobre outros atuantes no sistema internacional.

Não proponho a existência de um Leviatã (como diria Hobbes na ordem interna de um Estado), mas sim a dominância de burguesias no sistema internacional por viverem em um cenário extremamente estratificado, de acordo com Wallerstein, no qual países de terceiro mundo dependem das burguesias ou estados de primeiro mundo para garantir sua estabilidade, segurança interna (como o realismo propõe). 

Outro conceito que critico nesse artigo é o de “caixa-preta”, no qual o objeto de analise (Estado) é apenas analisado externamente, ou seja, o realismo não leva em consideração a parte interna do Estado, assim considera o estado interno utópico para assim, estar disposto a analisar o Estado no sistema internacional.

Ao se deixar de lado o “Estado-interno”, se tira o peso das decisões dos indivíduos e também, um conceito que hoje em dia se tornou cada vez mais importante nas agendas internacionais: a opinião pública. Com a “caixa-preta”, admitisse que o governo toma controle da segurança e organização do seu Estado, o que em minha opinião, se torna a utopia do realismo.

 Esta crítica apresentada é apenas a introdução de um pensamento sobre as vias teóricas das relações internacionais. 

 

04/01/2014

 

Pedro Paulo Piovan